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Saiba Como Torna-se Prático!

Respondemos aqui as dúvidas mais comuns sobre como tornar-se Prático de Navios

Se você está pensando em se tornar Prático, ou tem dúvidas e quer saber mais sobre o Processo Seletivo que o levará para esta profissão, você está no lugar certo!

Se você está chegando agora, recomendamos que leia todas as perguntas e respostas na sequência. Ao final da leitura, é provável que você terá uma boa base sobre o processo seletivo e a maioria das suas dúvidas terão sido sanadas. 

Para se tornar Prático, você precisará passar em um Processo Seletivo (Processo Seletivo à Categoria de Praticante de Prático – PSCPP). Uma vez tendo passado no PSCPP, você se torna Praticante de Prático quando, por cerca de 1 ano, fará um treinamento com Práticos. Depois disso você receberá sua Habilitação de Prático e poderá exercer a profissão. 

Não. O Prático não é funcionário público e para ser habilitado como Prático, você precisa passar por um Processo Seletivo (e não Concurso Público). Entretanto, note que, como a quantidade de Práticos é controlada pela Marinha, as vagas são limitadas. Este Processo Seletivo somente abre quando a Marinha vê a necessidade de repor o quadro de Práticos atuais.

É a sigla para Processo Seletivo à Categoria de Praticante de Prático, o processo pelo qual as pessoas precisam ser aprovadas para, no final, se tornarem Prático de navios. 

Os requisitos para se se inscrever no Processo Seletivo para se tornar Prático são:

  1. Ser brasileiro (ambos os sexos), com idade mínima de dezoito anos.
  2. Possuir curso de graduação (nível superior) oficialmente reconhecido pelo MEC concluído. No último concurso, Cursos Tecnólogos, desde que  reconhecido pelo MEC, foram aceitos.
  3. Se não for Aquaviário, então ter a habilitação para condução de embarcações de esporte e recreio na cartegoria de Mestre Amador, no mínimo. 
  4. Se Aquaviário (profissional marítimo), ser da seção de convés ou de máquinas, de nível igual ou superior a quatro.
  5. Não ser militar reformado por incapacidade definitiva ou civil aposentado por invalidez.
  6. Estar em dia com as obrigações militares, se do sexo masculino.

Em resumo, os principais requisitos são que tenha algum curso superior (qualquer um, desde que reconhecido pelo MEC) e, se você não for Aquaviário (profissional marítimo), então precisa ter a habilitação de Mestre Amador. Esta habilitação pode ser obtida de forma relativamente fácil. Falaremos disso mais em outra pergunta.

Sim. E, efetivamente, existem muitos Práticos que nunca haviam tido qualquer contato com a profissão antes.

A Habilitação de Mestre Amador é uma habilitação Amadora, ou seja, alguém com habilitação para conduzir embarcações de esporte e recreio, exceto jetski. Ou seja, alguém habilitado para conduzir barcos, lanchas ou veleiros particulares, sem realizar serviços profissionais de transporte de carga ou passageiro. 

Existem 5 categorias de Amadores, sendo que Mestre Amador é uma dessas categorias. Ela permite conduzir embarcações, exceto jetski, a uma distância de até 20 milhas da costa. 

Para tirar a habilitação de Mestre Amador, basta passar em uma prova teórica aplicada pela Marinha.

Mas note, entretanto, que a Marinha somente fará sua inscrição na prova se você já for habilitado como Arrais Amador antes.

Então, o caminho a seguir para tirar a habilitação de Mestre Amador é, primeiro, tirar Arrais Amador e, segundo, tirar Mestre Amador.

Já para tirar Arrais Amador, você precisará procurar uma escola náutica que ministrará um treinamento embarcado obrigatório. Depois disso, fará uma prova teórica na Marinha. Passando na prova, você recebe a habilitação de Arrais Amador e poderá, agora, se inscrever na Prova para Mestre Amador. 

O nosso blog é dedicado a informações sobre as habilitações amadores. Navegue nele e veja os artigos para saber mais sobre as habilitações para condução de embarcações de esporte e recreio.

Boa parte da bibliografia a ser estudada para o Processo Seletivo está em inglês. Além disso, a Prova Prático-Oral (da qual falaremos mais abaixo) também ocorre em inglês. Ao se tornar Prático, você fará a assessoria de navios e, neste caso, na maioria dos casos, precisará se comunicar em inglês com a tripulação destes navios.

Apesar de ser possível focar em um inglês técnico para a prova (caso você não domine a língua com proficiência), recomendamos que você se sinta confortável com seu nível de inglês, principalmente para fala e leitura. 

Primeiro, devo lembrar que o Processo Seletivo não é para Prático, mas sim para Praticante de Prático. 

A pessoa que passa no Processo Seletivo precisará treinar com Práticos habilitados antes de receber a Habilitação de Prático. Enquanto durar este treinamento, ele será Praticante de Prático.

Mas, voltando à pergunta, o Processo Seletivo à Categoria de Praticante de Prático é composto basicamente de 4 etapas:

1 – Prova Escrita
2 – Apresentação de documentos, Seleção Psicofísica e Testes de Suficiência Física
3 – Prova de Títulos
4 – Prova Prática-Oral

Detalharemos estas etapas nas perguntas seguintes.

A prova escrita é uma etapa classificatória e eliminatória. 

Esta prova normalmente constará de 50 a 80 questões de múltipla escola versando sobre diversos assuntos como Marinharia, Meteorologia, Comunicações, Legislação, Princípios de Engenharia Naval, e outros.

Os assuntos da prova e as bibliografias indicadas normalmente estão presentes na NORMAM-311, uma norma da Marinha que trata, dentre outros assuntos, do Processo Seletivo. 

A segunda fase do Processo Seletivo, que tem caráter eliminatório, é um pouco mais que um teste de suciência física e, na verdade, envolve três coisas:

1 – entrega de documentação pessoal (esta é fácil!)
2 – seleção psicofísica, que nada mais são que exames médicos para verificar seu estado de saúde geral
3 – teste de suficiência física

Se você tem dúvidas sobre a seleção psicofísica e o seu estado de saúde geral, recomendo que baixe a NORMAM-311 no site da Marinha (é só usar o Google!) e verifique o que será avaliado pela junta médica da Marinha. Se precisar, consulte um médico e faça uma avaliação para se certificar que você está apto.

Já o teste de suficiência física consta de três atividades: (1) execução de quatro exercícios de barra completos; (2) nadar cinquanta metros em menos de um minuto e trinta segundos em qualquer estilo (é fácil, mas se tem dúvidas, tente em uma piscina e descubra por si mesmo!) e (3), permanência na água, flutando, por 20 minutos, sem tocar em qualquer superfície rígida, borda da piscina ou no fundo. Normalmente, o que pode causar dificuldades aqui são os exercícios de barra. 

Esta fase é somente classificatória. 

Normalmente, ganham alguns pontos quem tem experiência na Marinha Mercante ou alguém que já é Prático e optou por fazer um novo Processo Seletivo. 

Mas se você não é da Marinha Mercante, saiba essa pontuação não costuma pesar muito na classificação final, e normalmente não é empecilho para a imensa maioria dos candidatos do Processo Seletivo.

Esta é uma fase classificatória e eliminatória. 

Mas saiba de antemão que, embora seja possível, o que se observa é que poucos candidatos são eliminados nesta fase (já baixas pontuações às vezes acontecem – mas isso é só classificatório).

Nesta fase, conhecida também como PPO, o candidato irá a um simulador e precisará realizar uma manobra de praticagem para uma banca formada pela Marinha. 

Não. 

Veja bem: você passará por um prova teórica com extensa matéria e é esperado que, assim, já tenha demonstrado uma excelente capacidade de aprendizado. 

Entre a prova teórica e a prova prático-oral irão correr alguns meses, com tempo suficiente para você aprender e praticar bastante para a prova prático-oral. 

Neste meio tempo, tenha certeza, haverá muita oferta de cursos para você se preparar bem para esta fase. 

Alguns treinamentos desses, inclusive, são ofertados em outros países, como EUA e Chile, e é normal os cursos subsidirem estes custos, desde que você assuma o compromisso de os pagar depois de se tornar Prático. 

Então, não. Absolutamente não se preocupe com a prova prática-oral. No momento certo, você terá todo o suporte necessário. 

Assumindo que você não tenha problemas de saúde, e consiga fazer as 4 barras no teste físico, sem dúvida alguma a parte mais difícil do processo é a prova teórica.

A matéria é extensa, e a concorrência é elevada.

Não há como saber, e há muita incerteza e rumores sobre isso.

O último PSCPP aconteceu em 2012. 

Antes de 2012, houve processos em 2011, 2008 e 2006, para citar os últimos.

São dois aspectos importantes que devem ser notados aqui. 

Primeiro, haverá um número limitados de vagas. Então, aqueles que ficarem com classificação baixa podem correr o risco de não conseguirem uma vaga ao fim do Processo.

Segundo, e mais importante: no momento de se inscrever no Processo Seletivo, você indicará a sua ordem de preferência das Zonas de Praticagem onde há vagas disponíveis. A distribuição dos aprovados no processo se dará respeitando esta ordem indicado pelo candidato, começando pelas pessoas melhores classificados. 

As Zonas de Praticagem (ZP) são áreas delimitados, normalmente próximas de portos (mas nem sempre) onde o Prático atua, assessorando as embarcações. 

Os Práticos são especialistas locais, e sempre atuam em uma única ZP. Não existe, a priori, mobilidade entre as ZPs. Um Prático de uma determinada ZP não pode atuar em outra. 

Atualmente, o Brasil conta com 20 ZPs. 

O PSCPP é, na verdade, um Processo Seletivo que, ao final dele, dá à pessoa a Habilitaçãop de Praticante de Prático. 

Enquanto for Praticante de Prático, ele passará por um estágio de qualificação, quando treinará as manobras com Práticos habilitados. Este treinamento dura aproximadamente um ano. Ao final dele, o Praticante de Prático fará uma manobra de praticagem, onde será avaliado mais uma vez por uma banca da Marinha. 

Só então ele receberá a Habilitação de Prático e poderá, efetivamente, atuar na profissão. 

Sim. 

Depois de passar no Processo Seletivo e se tornar Praticante de Prático, é necessário fazer cerca de 1 ano de treinamento na ZP para a qual você foi selecionado, e então passar por uma avaliação prática em um navio, onde você será avaliado por uma banca da Marinha para então, finalmente, se tornar Prático. 

Em teoria, sim.

Mas, na prática, normalmente o Praticante de Prático somente será liberado pelos Práticos que o treinaram para fazer esta avaliação quando entenderem que ele já tem proficiência suficiente. Então, na prática, essa última etapa não costuma ser um problema. 

Leia a NORMAM-311, “Normas da Autoridade Marítima para o Serviço de Praticagem”. Ela pode ser facilmente encontrada no site da Marinha e contém capítulo dedicado sobre todo o Processo Seletivo.